Complexo de Sócrates

Se tu não tens o costume de inteirar-te das últimas notícias do mundo científico-tecnológico, recomendo: faça-o, irás te surpreender com tanto desenvolvimento já existente. Coisas que tomávamos por ficção e até magia hoje, a cada dia se fazem reais em laboratórios ao redor do mundo.

Veja a atualidade da medicina. A lista de síndromes, patologias, doenças, males, cânceres é longa, à medida que a ciência médica avança. É horrorosamente incrível. Para as que há, tratamentos, medicamentos, cirurgias, especializações e áreas de conhecimento se multiplicam. (Também, com 7 bilhões de pessoas, com todas as dificuldades socioeconômicas existentes no atual mundo que vivemos!) Um complexo mundo de complexas interfaces conectadas complexamente em complexos planos (material, energético, subjetivo...); e um plano, em especial, é curiosamente insistente: o plano do desconhecido.

A medicina não é, clara e obviamente, a única ciência que goza do transbordar do avanço exponencial sobre os problemas que lhe surgem; a Física também. À Física aqui, me refiro, a toda a ciência natural abiológica: Mecânica, Química, Eletrônica, Astronomia, Quântica e Cosmologia. Farei luz, aqui, às duas últimas.

No finalzinho do século XX, Lord Kelvin teve a audácia de anunciar, aceticamente, o fim do conhecimento Físico. O que se precisava saber sobre a referida natureza, já o se havia feito. Pena: alguns aninhos após, um curiosíssimo rapaz chamado Albert lhe calaria a boca acética, revolucionando com o modo como vemos o mundo. Não viveu para ver a comunidade científica mundial se dobrar à sua própria ignorância uma vez mais.

Einstein fez algo parecido com Copérnico, Galileu e Newton, nos séculos XV, XVI. O trio renascentista "tirou" o centro do "Universo" (o "hoje" modesto sistema solar) da Terra para o Sol. Os homens tiveram de se dobrar humildemente à Natureza reconhecendo-se apenas peões insignificantes de um tabuleiro maior... ou melhor: infinito. Einstein "nos humilhou" também, de forma diferente, porém.

O jovem Einstein percebeu que interpretar a natureza da luz olhando para o Tempo em si, como absoluto, tão absoluto quanto a certeza que existes (tudo bem, se fores filósofo, terás tuas dúvidas, mas enfim...) implicaria em consequências ilógicas. Para que a natureza da luz fosse lógica, através da razão e das experiências feitas até então, o Tempo deveria ser "maleável", podendo transcorrer mais lento que o normal se pudesse-se atingir velocidades consideravelmente próximas a da luz. Assista o documentário  abaixo para teres uma visão mais ampla sobre:


O Tempo. Controle sobre o tempo? Ainda não, apenas mentalmente. Mas controle apenas sobre um pouco mais de conhecimento.

Com tal entendimento sobre o tempo, a concepção de espaço também foi alterada. E com ela, somada às observações de Hubble, o Universo foi se mostrando caoticamente grande! A cerca imaginária dos astros mostrou-se um gigantesco muro de ignorância: olhando pela janela da Terra, avistamos bilhões de galáxias, nas quais residem bilhões de estrelas - inúmeras maiores que nosso ínfimo Sol.

Mas não apenas olhar para o infinito nos estasiou. Os avanços de colegas e amigos de Einstein, como Bohr e Heinsenberg, fizeram nossa mente rachar em frangalhos ao estudar a matéria na escala dos átomos. Se fossem gaúchos, "os butiás lhes teriam caído dos bolsos".

A investigação ao mundo do átomo levou-os a percepção de seu estranhíssimo comportamento. A posição da matéria tornou-se também não absoluta - mas probabilística: assim como a energia de uma onda é distribuída ao longo de sua propagação (como as ondas do mar), a matéria se portaria como uma onda, distribuindo-se pelo espaço - apesar de nossos olhos não verem dessa forma, pois vemos o resultado do todo, o macro.

O começo do século XX foi um tremendo rebuliço. Foi um Iluminismo Natural: os absolutos Tempo, Espaço e Posição Material perderam sua coroa à relatividade do espaço-tempo e à probabilidade. Assim, décadas de avanço científico passaram. Hoje celebramos avanços importantíssimos na tecnologia, mas avanços também, curiosamente, à ignorância.

Quanto mais avançamos nos estudos, experiências e hipóteses, mais nos vemos perplexos. Como Newton, a Humanidade se vê a cada dia à beira do infinito mar do conhecimento, mas sentindo-se apesar de tudo às suas margens. Entramos num complexo de Sócrates, que disse a célebre e logicamente contraditória frase:

"Só sei que nada sei".

Relendo-o, podemos hoje dizer:

"Quanto mais sabemos, descobrimos menos saber".

Sobre Trabalhos de Pesquisa (SIROTSKY!!)

Escrevo este post para dar orientações e dicas sobre trabalhos de pesquisa, válidas para Ensino Médio Regular e (até certo ponto) Ensino Superior:

Busca Palavras-Chave
Não espere encontrar livros, capítulos inteiros ou até mesmo sites que falem do título do seu trabalho. A grande maioria das vezes terás que ir atrás de palavras que estão dentro do contexto de teu foco de trabalho ou pesquisa.

Toma nota das referências
Escreva uma relação dos livros que pesquisaste (Título, Capítulo, Autor(es, as), edição, ano, editora), ou revistas e jornais (volume, edição, data ou ano) e sites que acessaste colhendo informações (URL completa, no caso, desde o "http://" até o final, completo, por mais longo que seja!).

4.1. Parte 2: Termômetros e as escalas de temperatura

Como estabelecer padrões de agitação – unidades de media de temperatura

Paira uma dúvida no ar ao pensarmos em como medir o grau de agitação de algo tão pequeno que não vemos, como os átomos e moléculas. E como algo tão rudimentar como uma coluna de mercúrio dentro de um caninho de vidro (termômetro) faria isso?

Como se observou anteriormente, a água (e qualquer outra substância pura, como álcool desidratado, mercúrio, e oxigênio) quando muda de estado físico (seja congelando, seja fervendo) assume a característica importante de manter-se a temperatura constante enquanto faz essa mudança.

Um rapaz chamado Anders Celsius (1701-1744) teve a genial idéia – não somente ele, mas também outros como Gabriel Fahrenheit (1686-1736) – de relacionar a dilatação de um material com esta constância das substâncias nas mudanças de estado físico. Como eles sabiam que a dilatação sofrida por um material era tão grande quanto mais quente estivesse, e como sabiam também que se em contato com algo a temperatura constante a dilatação cessaria e as dimensões se manteriam também constantes (como também você sabe, pois afinal, a não ser que se esquente ou esfrie algo, seus talheres, por exemplo, não começam a mudar de tamanho espontaneamente), procuraram relacionar a dilatação sofrida com a “quentura” de algo.

[ESQUEMA COLUNA DE MERCÚRIO COM AQUECIMENTO E CONGELAMENTO DA ÁGUA]

Celsius então atribuiu o valor de 100 para a dilatação do mercúrio quando em contato com água fervente e 0 para a água em congelamento. Como essa escala possui essas relações de congelamento e fervura da água distando-se numa centena, essa escala (e todas que o fazem, como a escala Kelvin que é vista mais abaixo) denomina-se centígrada. Inclusive, quando assumimos esses valores para as transformações em pauta, está se falando escala Celsius (°C).

Outro homem (Gabriel Fahrenheit), como comentado, fez a mesma assimilação que Celsius; contudo atribuiu os valores de 212 e 32 para, respectivamente, as temperaturas de fervura e congelamento da água. Essa escala é conhecida por escala Fahrenheit (°F) – utilizada apenas nos EUA.

Como ambos relacionam valores diferentes para a mesma elongação da coluna de mercúrio, podemos usar a geometria para relacionarmos essas escalas:

[ESQUEMA DE RELAÇÃO COLUNA CELSIUS E FAHRENHEIT]

Da geometria temos que a seguinte relação lógica:

Veja que A = C e B = D. Então, como A = tC - 0; B = 100 - 0; C = tF - 32; D = 212 - 32:
Assim, simplificando, temos:
Veja que ambas são representações diferentes da mesma relação.

Escalas de temperatura absoluta – Escalas Kelvin e Rankine

Como comentamos no tópico anterior ao último, a temperatura mede a “agitação de partículas” de um corpo (objeto, atmosfera, etc.). Portanto, seria conveniente atribuir-se o valor de zero à temperatura de algo cuja agitação fosse nula. Contudo, a idéia de agitação foi proposta apenas anos mais tarde a época de Celsius e Fahrenheit. Pesquisadores que se aprofundaram neste estudo puderam propor uma escala conveniente a esta visão de temperatura como nível de agitação.

Um destes indivíduos foi William Thompson (1824-1907), conhecido por Lord Kelvin. Ele propôs uma escala que levasse em consideração estes últimos avanços no conhecimento da natureza das partículas, propondo uma escala cujo zero indicaria justamente uma partícula em repouso. Sua escala, como a Celsius, tem a diferença entre a temperatura de fervura e congelamento da água em 100 (portanto, também é centígrada); decorrentemente, contudo, os valores da temperatura de fervura e congelamento são, respectivamente, 373,15 e 273,15.

A relação ºC e K fica, usando o mesmo entendimento que usamos para a escala Fahrenheit:
Assim, a temperatura em °C relaciona-se com a temperatura em K:

NOTA: para escalas de temperatura absoluta, não se usa (nem se diz) o símbolo de grau “°”, apenas a letra do homenageado (como a Kelvin e a Rankine, que vem a seguir).

Outra escala de temperatura absoluta é proposta por William John Macquorn Rankine (1820-1872), usando as mesmas proporções da escala Fahrenheit, relacionando-se com ela da seguinte forma:


Trabalho de Física (EEEM Maurício Sirotsky Sobrinho)

Ano 2012
1º Trimestre

Primeiro Ano: 103


a) Trabalho:
O trabalho consiste numa redação descritiva embasada em pesquisa bibliográfica sobre um dos três ícones da Mecânica Clássica: Aristóteles
Galileu Galilei
Isaac Newton.

Pesquisar sobre:
– Impacto de suas descobertas/ideias em sua época e Hoje;
– Inventos e outras contribuições (ideias, teorias, etc.).
Há alterações se comparado ao documento fornecido na secretaria. Neste, há a ainda o quesito "Teoria do movimento" que não é mais necessário.

Data de entrega: 24/05/2012
___________________________________________

Segundo Ano: 201 e 202


a) Trabalho #1:
O trabalho consiste no levantamento do consumo de energia elétrica domiciliar. É necessário que, para cada aparelho usado, pelo menos uma vez por mês o seja, levante-se os seguintes dados dele:
– Potência em kW: a maioria dos aparelhos tem indicado sua potência em W, portanto, divida esse valor por 1000. Por exemplo, se um aparelho tiver potência de 100 W, equivale então a 0,1 kW.
– Tempo de uso em horas, no mês: por exemplo, se tu usas um aparelho de 100 W 1h/dia, como um mês tem 30 dias, então tu usas, no mês, 30h!

Em posse destes dados, calcule o consumo que cada um dispende no mês multiplicado o tempo de consumo pela potência. Após, some todos os consumos calculados e compare com o consumo impresso na tua conta de luz.

Data de entrega: 26/04/2012

b) Trabalho #2:

Redigir uma redação, no máximo 20 linhas, sobre as relações existentes entre o desenvolvimento humano e o crescimento do consumo de energia no Brasil (ou mundo). Pode-se falar sobre vários pontos relacionados, como desmatamento, efeito estufa, destruição de fauna/flora, globalização, entre outros.

Data de entrega: 10/05/2012


2º Trimestre

Primeiro Ano: 103


a) Trabalho #1:



Redigir uma redação, no máximo 20 linhas, sobre a importância do conhecimento científico na vida social.

Data de entrega: Em a ver.

1.5. Energia, Trabalho e Potência - Parte 2

Relacionando Energia com outras grandezas

Vimos na primeira parte de nosso estudo sobre energia algumas características suas e algumas ideias sobre como ela se comporta. Agora veremos de que forma a energia pode ser medida, conforme o contexto em que se encontra, ou seja, de acordo com o fenômeno ou situação em que está agindo.

Antes de mais nada precisamos diferenciar duas formas essenciais que a energia pode se apresentar. Uma delas denominamos de Potencial, que é a energia que, como o nome sugere, pode vir a promover uma ação (explosão, queimar, mover, aquecer, etc.). A energia na forma de ação em si denominamos de Cinética (energia de movimento). Vamos dar uma olhada em alguns exemplos de ambas e nas respectivas relações (fórmulas) com as grandezas que elas dependem:

Energia Potencial Química
A energia potencial química é mais comum e viva em toda a manutenção biótica, ou seja, da vida. A energia contida nas ligações químicas pode ser liberada nas mais variadas formas de energia, dependentemente da reação que promove a reação e até mesmo das condições em que ela ocorre.

Em Química, vemos que uma determinada reação libera ou absorve uma dada quantidade de energia, dependentemente da quantidade de reagentes em interações e das condições em que elas se processam. Essa energia é denominada Entalpia da Reação. Essa entalpia pode ser manifesta na forma de luz (combustões e degradações), calor (combustões, dissoluções, neutralizações) e elétrica (toda reação química possui movimentação de elétrons, mas apenas algumas tornam viável esta movimentação como uso diretamente elétrico, como as corrosões).

Assim, não há uma fórmula matemática que possa expressar, generalizadamente, a energia contida numa ligação química. Cada ligação, porém, tem valores tabelados destas energias, mas mesmo assim a precisão destes dados não é facilmente controlados.

Energia Potencial Elástica
Ao comprimirmos ou alongarmos um corpo elástico verificamos que ele exerce uma força contrária à nossa ação. Este sistema de compressão ou alongamento de um corpo elástico, como uma mola, pode ser estabilizado (solto) vagarosamente enquanto realiza um movimento sobre algo. Este evento é promotor de aparelhos de corda (como relógio e brinquedos antigos), e no mecanismo de armas de fogo, na projeção de seus projéteis.

A energia potencial elástica armazenada dependerá essencialmente de quanto se deforma do corpo elástico (x) e da própria estrutura do corpo. A grandeza que relaciona a resistência de cada corpo elástico denomina-se constante elástica k, própria de cada corpo. Matematicamente teremos:
Quanto ao valor de k, dependerá da estrutura do corpo (de uma mola, por exemplo temos a espessura do fio, do diâmetro da espira e do número de espiras) e do material que é feito.

Energia Potencial Gravitacional
Quando erguemos um objeto qualquer gastamos Energia. Em compensação, dependendo de quão pesado é este objeto, sua queda pode propiciar instantaneamente uma grande quantidade de energia (a mesma que gastamos para erguê-lo) que não poderíamos propiciar por nós mesmos, como cravar uma estaca simplesmente empurrando-a. Ao erguermos uma marreta (grande massa) ela cai com grande velocidade e "inércia" enterrando a estaca com a energia que gastamos para erguer a marreta, mas de maneira eficaz. A energia que propiciamos à marreta é denominada gravitacional, pois propiciamos aí uma diferença de altura que possibilita a queda, que aumenta a rapidez (em MQL) transmitindo energia a estaca para cravá-la no chão.

Esta energia potencial dependerá de três fatores: da massa m do corpo, da altura  h que ele se encontra em relação a outro ponto e do campo gravitacional g atuante na região (para a Terra é praticamente constante e igual, em toda a superfície, a 9,8 N/kg):

1.5. Energia, Trabalho e Potência - Parte 1

Energia: um 'agente' muito importante

Eis aí uma das palavras mais ouvidas hoje em dia; de fato muito importante é para a manutenção da vida como um todo e também do próprio desenvolvimento Humano. A citamos para nos referir à alimentação de metabolismos. E também para, similarmente, combustível de máquinas. À sua falta, atribuímos nosso cansaço após uma atividade. A ela também atribuímos aquilo que há dentro de baterias e pilhas para que se possa usar um aparelho eletrônico ou ainda aquilo de que "a luz é feita".
Mas afinal: o que é Energia? Poderias me dizer simplificadamente? Na realidade, poderias sem qualquer dificuldade, talvez, se saberes os princípios que regem essa tal de "energia". Mas sem mais delongas, debatemos sobre ela e o que de fato ela é.


Já citei vários exemplos de onde podemos encontrá-la, ou melhor, onde verificamos sua manifestação - pois afinal, energia não é algo que se pegue ou veja ou cheire. Só sabemos que ela de algum modo existe, mesmo não podendo nós interagirmos com ela como fazemos como uma pedra ou até mesmo o ar. Por isso comumente diferenciamos Matéria de Energia, principalmente na Química, devido a essa diferença de interação que podemos e não podemos ter com o mundo que nos cerca. Apesar de sabermos e entendermos um pouco energia, não podemos vê-la ou segurá-la.


E então? O que é Energia afinal? Achou complicado explicar algo tão simples, ou bobo o não poder explicar algo complicado de forma simples? De fato, não é simples explicar energia, por mais que estejamos habituados com ela. Na verdade, não é porque estejamos habituados com algo que significa sabermos nós tudo sobre ele.


A manifestação da Energia e suas transformações


A energia pode ser verificada nas suas várias manifestações e transformações. Por exemplo, sabemos que um combustível pode movimentar um carro ao ser queimado; a explosão derivada desta queima movimenta os pistões do motor possibilitando a movimentação de um complexo sistema mecânico que move o carro. Sabemos também que há ácido dentro da bateria de carros e que, ao reagir com o chumbo presente nela há produção de energia elétrica, que possibilita o acendimento de todos os comandos eletrônicos e luzes de painel.


Nessas manifestações citadas, podemos listar algumas formas de energia: a química (presente nas ligações químicas do combustível e do ácido+chumbo), a luminosa (no painel do carro), a cinética ou de movimento (no motor) e a elétrica (que 'flui' através dos circuitos eletrônicos do carro). Mas que bagunça, não? O que está acontecendo com a Energia? Ela está apenas se transformando. E temos que tomar cuidado ao relacionar sua transformação com outras que conhecemos.


Imagine na diversidade de objetos que podemos fazer com um único material. Sabemos que um pedaço de argila úmida pode ser usado para fazer uma máscara ou um pote ou um jarro ou uma ferramenta; ou seja, aquele pedaço pode ser moldado para diversos fins. Semelhantemente, com uma forma devida, podemos fazer um objeto de concreto. Moldando ou esculpindo ou ainda forjando um dado material, pode-se transformá-lo no que se desejar.


Agora, imagine o inverso: imagine a diversidade de materiais com que podemos fazer um único objeto. Uma escultura pode ser feita com forja de bronze, ou com o esculpir do gesso ou ainda da madeira.


A transformação de energia se processa simultaneamente das duas formas: podemos fazer vários 'objetos', ou seja, outra energia ou ações, com uma única forma de energia. Com energia elétrica, por exemplo, podemos acender uma lâmpada, mover um carro, congelar gelo (freezer) ou ainda derretê-lo (forno). O inverso também podemos imaginar: com energia elétrica podemos obter o 'objeto' energia luminosa, o qual também podemos obter com energia química través da queima de um combustível qualquer. O ainda, a 'escultura' energia elétrica pode ser obtida através da transformação de energia cinética (do movimento dos ventos nas Usinas Eólicas), de química (da queima de carvão nas Usinas Termelétricas e Geotérmicas), de gravitacional (da queda de águas numa Usina Hidrelétrica ou numa Maremotriz) dentre outros.


A limitação da comparação, porém, está na mutabilidade da energia. Vê que há limitações das transformações da matéria: para moldar determinado material,  precisamos lançar mão de variadas técnicas para fazê-lo (sólidos: esculpir ou forjar; líquidos/gases: alterar seu estado físico para sólido para só então moldá-lo, com em esculturas de gelo). A energia por sua vez não possui estados físicos. Ela pode se transformar em qualquer energia bastando usarmos dos meios necessários para isso.


Sabemos muito bem que a energia luminosa do Sol nos aquece com energia térmica. E a mesma luminosa carrega baterias em usinas fotovoltaicas (aquelas placas pretas que ficam sobre telhados de algumas residências). A energia não precisa mudar de forma para fazer uma ação. Uma mesma forma de Energia pode se transformar em qualquer outra.


Nada se cria e nada se perde, tudo se transforma  - e matematicamente!


A energia, apesar de complicada sua definição, pode ser medida. E verifica-se um princípio muito importante e lógico nas suas transformações: num processo  de transformação energética, jamais haverá 'sumiço' de energia ou 'criação', do nada. Ela sempre se transformará de modo que, se medirmos a energia existente antes da transformação ela será igual após sua ocorrência.


Isso parece realmente lógico, pois a vivência nos mostrou que nada pode ser simplesmente criado do nada ou desintegrado. Pois bem, o mesmo acontece com a Energia. Mas de que maneira podemos medi-la? Bem, precisamos primeiramente verificar alguns pontos que interferem num consumo maior ou menor de energia.


Se pensares um pouco, poderás levantar os seguintes tópicos referentes ao consumo de energia por um motor ou um organismo vivo:
- Rapidez (Velocidade);
- Distância Percorrida (Deslocamento);
- Esforço realizado (Força);
- Duração da atividade (Tempo);
- Volume d'água, como na caixa d'água (Massa);
- Aquecimento/Resfriamento (Temperatura);
- Voltagem (Carga Elétrica);
- Compressão/distensão de uma mola (Elongação).


Muitos outros fatores ainda podemos determinar sobre o que influi no consumo de energia, mas atemo-nos apenas a estes por enquanto; e te pergunto: sabes como eles se relacionam entre si, para podermos de alguma maneira medir a energia gasta? Por exemplo, quanta energia é precisa para algo mover-se a 80 km/h? De que mais depende este consumo? A energia é a mesma para uma bicicleta, ou para um carro ou ainda um navio? Óbvio que não. Mas como quantificar, então, tal energia? É o que veremos no próximo tópico.

Dados sobre Energia

Abaixo seguem alguns dados sobre energia (clique no link para acessar o site), compreendendo relações de alimentos e hidrelétricas:


1. Alimentos
- Tabela de Energia média de alimentos, por porções específicas (em Calorias: 1 Caloria = 4,18 kJ), com calculadora;


2. Usinas (em inglês, Power Plants)
- Dados da Hidrelétricas de Itaipu;


3. Instituto de Eletrotécnica e Energia - Universidade de São Paulo
- INFOENER: Sistema de Informações Energéticas

Galileu: A batalha pelos Céus

Documentário sobre a história de Galileu, no Youtube. Acesse pelos links abaixo, o documentário completo beira 2h.
Parte 1
Parte 2
Parte 3
Parte 4
Parte 5
Parte 6
Parte 7
Parte 8
Parte 9
Parte 10
Parte 11

Amor eletromagnético

Amada Ondina,

Hoje na classe de Física, aprendendo sobre o espectro eletromagnético, aprendi sobre minha situação ­– e compreendi a nossa.
Como uma emissão eletromagnética nosso relacionamento começou na base da comunicação simples. Era difícil nos sintonizarmos sem alguma interferência; com o passar do tempo, contudo, a qualidade suplantou estações.
Passamos a nos vermos mais vezes, nossa comunicação se tornou mais visual; interesse de ambos os lados possibilitaram um estreitamento na nossa comunicação. Tal agitação repentina fez meu suor agitar, até que a paixão se tornou visível no seu mais intenso vermelho.
Daí em diante surgiu as mais variadas sensações; e os mais variados sonhos passaram diante de meus olhos: laranja outonal inspirou-me à poesia; o sol, dourado radiante, abrilhantou-me o semblante; larga esperança em verde cresceu; desaguou-se vivo oceano em meu ser; o anil do céu penetrou minha mente; violáceo ardor fibrilou em meu peito. Então... De repente... Tudo acabou. Nada mais vi. Mas dentro de mim muito ainda ocorreu.
O sentimento que perdurava em meu ser destruiu cada ínfima parte do meu corpo, como se câncer formasse minha existência, enquanto nada sentia, entretanto. As vibrações continuavam energizando-se; e minha estrutura estava como se cada ínfima parte de meu corpo alterara sua natureza em si mesma.
Agora, me sinto distante, como se não me encaixasse mais nesse mundo; o sentimento transcendeu o que aqui conheço – nas estrelas distantes achei seu padrão.
Como vês, cara Ondina, por cada freqüência meu peito vibrou. E perpassa cada dia, mais, distante e distanciando num efeito Doppler contínuo de desilusão sem fim.
De seu tangencialmente eterno,
Geovani Lopes Dias

Realidade e Ciência

Olha a tua volta. O que vês? O que ouves? O que tateias? O que sentes? O que cheiras? Descreva em pensamento. Todas as sensações e percepções que tens do mundo à tua volta, tudo o que aprendes como verdadeiro e real, as cores, os sons, as características de objetos, as lógicas da vida... Tu confias nos teus sentidos? Se já viste o filme Matrix, sugiro resgatá-lo da memória, pois este texto trata de assuntos abordados nele, em particular na primeira parte da trilogia. Mas primeiro regridamos um pouco no tempo...
Durante toda a existência da Humanidade, somos desafiados a caracterizar e classificar as coisas, tantas são as adversidades que se põem frente a nossa sobrevivência. E para isso, sempre usamos de nossos limitadíssimos sentidos (visão, audição, olfato, tato e paladar) e nossa mente evolutiva genial – e independentemente de seres tu criacionista ou não, é inegável a evolução da mente humana; e continua progredindo à medida que cada nova geração aprende com os conhecimentos das antigas e constrói em cima mais conhecimento; vemos isso por toda a História.
Nos tempos antigos, os gregos filosofaram sobre muitos assuntos; e não somente eles, mas também os babilônios, egípcios, hebreus, assírios e tantos outros povos da antiguidade. Década após década, filósofo após filósofo, reino após reino, sociedade após sociedade, a Humanidade foi crescendo, se expandindo, se miscigenando, conquistando e dominando o mundo em que vive e a si própria. E dentre tantas descobertas e genialidades que inventamos e descobrimos, nunca conseguimos, pelos sentidos e conhecimento construído, responder a inquietante pergunta: o que é a verdade? E perceba, esta questão nos remete a uma viagem mais longa que, talvez, o próprio Universo. Por quê? Pois dia após dia em que avançamos em nossos conhecimentos da Realidade, desvendamos que nossos conhecimentos são teorias e suposições falhas. Verificamos uma experiência semelhante a que a Humanidade tem desde seu início na escola, já nos primeiros anos do ensino fundamental.
Tradicionalmente, aprendemos que não se pode diminuir 2 de 1, pois 2 é maior que 1. Mais tarde, aprendemos que se pode fazer sim. Mais tarde somos proibidos de dividir por um número que não vá dar um número inteiro, por exemplo, 1 dividido por 3; logo depois aprendemos que isso tem até nome: fração. Certa vez aprendemos que não se pode tirar raiz de número negativo; mais tarde, no ensino médio, vemos que isso se resolve com o conjunto dos números complexos. Como uma vez disse uma colega minha na Liberato: “a cada ano que passa, uma mentira que nos revelam”. A humanidade experimenta algo semelhante com a Ciência: a cada nova teoria que explica melhor um fenômeno, descobrimos que o que pensávamos ser real era ilusão de nossas mentes até então limitadas; e a vida da Humanidade está repleta dessas situações.
A Física é um exemplo clássico (e talvez mais notório) deste impasse filosófico. As teorias de Aristóteles do movimento perduraram por dois milênios – teorias estas tomadas por nós como “ciência caseira”: trata-se da lógica que aprendemos para conhecer o mundo ao nosso redor. Após Aristóteles, veio Copérnico, Galileu, Kepler, Newton e por fim Einstein (com o perdão de obliterar muitos outros importantes, mas menos conhecidos); todos acrescentaram idéias – quando não “tiraram o chão” que tínhamos a respeito das coisas. A cada nova geração, a Humanidade continua a descobrir que a Realidade que a cerca está mais encoberta ao conhecimento humano (a Ciência) que no começo – ou estará mais desvelada? Será que estamos mais próximos da “Imarcescível Verdade”? Com o que nos esperará o amanhã? Como dissera Galileu: “a verdade é filha do tempo. Não da autoridade”.
O futuro é confeccionado, desenhado, escrito, televisionado, plotado, anexado, enviado, curtido a cada dia, hora, minuto, segundo e twitada que passa. Há anos nos impressionávamos com o “fictício” touch screen em filmes – hoje produzimos milhares por hora; nos impressionávamos com robôs como R2-D2  e C-3PO da hexologia Star Wars – hoje testamos besouros ciborgues. Há milhares de anos, adorávamos os planetas – hoje, aterrissamos neles. O que era Realidade ontem é o mesmo que é hoje? O que a Ciência pode dizer? O que tu dizes disso? Bem-vindo a Matrix.


Professor Geovani Lopes Dias

4.1. Parte 1: Temperatura

O que vem a ser temperatura?

A qual objeto geralmente associa-se a temperatura? Termômetro? Correto, pois de fato ele mede temperatura. Mas o que é temperatura afinal? Você poderia me responder que ela indica “o quanto de calor tem em um objeto ou ambiente”. Certo, então temperatura indica o quão quente algo está, e de alguma forma mostra o quanto de “energia térmica” este algo tem? Antes de afirmarmos qualquer coisa, analisemos o seguinte:

Quando aquecemos água – numa chaleira, costumeiramente – após certo tempo ela começa a ferver, soltando vapores de água. Se acompanharmos com um termômetro a subida de “quentura” da água, veremos a temperatura subir até chegar a 100 °C, mas não passará disso! Intrigante? Mas por que acontece isso? Afinal, o fogo continua aceso, portanto, calor continua sendo transferido a água – mas por que a temperatura pára de subir então? Eis o limite de nossas associações corriqueiras e coloquiais entre temperatura e calor. Mas o que mede a temperatura, afinal?

Como se viu em outras aulas, analisamos o mundo como formado por matéria estruturada em minúsculas partículas que se arranjam das mais variadas formas: aglomerados de átomos, íons ou moléculas. Pois bem: estas partículas estão em constante agitação e interação umas com as outras, e o grau de agitação destas partículas é justamente o que denominamos, na Ciência, de Temperatura. Ou seja, quanto maior for o nível de agitação, maior será a temperatura.

Podemos imaginar as interações entre as partículas como uma rede cujos vértices são as próprias partículas:

[ESQUEMA]

O vídeo do “Mundo de Beakman” abaixo pode ajudar a esclarecer:

As interações que as partículas exercem sobre as outras as mantém numa “eterna inquietude”, ou seja, estão sempre em agitação. Quando esta agitação pára (o que é teoricamente impossível – a é até hoje, 18/11/2011 também é praticamente impossível, mais pra frente veremos o porquê), denominamos este estado de repouso como Zero Absoluto, ou seja, é o estado em que as partículas param de vibrar e interagir umas com as outras. Esta temperatura equivale a -273,15 °C e, portanto, não há nada mais gélido que essa temperatura – afinal, o que é mais devagar do que algo que já está parado?

No próximo post, verifique como estabelecemos uma escala de medida para temperatura.

1.2 Cinemática: A matemática do movimento - Primeira Parte: MRU, MRUV e MQL

A Matemática do Movimento

A Cinemática estuda o “como” o movimento se processa; através de relações de grandezas (posição, deslocamento, velocidades, aceleração, frequência, etc.) ela procura determinar o comportamento (mais precisamente os dados deste comportamento) com o fim de prever como ele se dá. Isso vai desde uma órbita planetária a um complexo sistema de engrenagens.

Conceitos importantes

Precisamos antes de trabalhar um pouco, como de praxe, definir alguns termos para uma melhor comunicação.

Posição (S)
Nada mais é do que um ponto, sem qualquer dimensão, em que se localiza algo, seja um móvel ou um local apenas; tenha-a como as marcações de uma régua.
É importante que se acostume com posição negativa. Sim negativa! Isto porque para determinarmos uma posição qualquer, antes precisamos determinar um marco, um ponto onde dizemos “aqui é o zero”; assim a posição S=1 estará a distância de uma unidade do zero (que chamamos de origem), e a posição S=-1 estará a mesma distância, porém do outro lado (no sentido posto):

regua_posicao.jpg
Portanto, como para indicarmos a posição precisamos e uma orientação, a posição é uma grandeza vetorial.

Deslocamento ()
Trata-se de um espaço, e não mais um ponto, de um comprimento, altura, largura, enfim, independentemente da direção ou sentido de que trata a situação. O deslocamento trata-se, portanto, de uma variação na posição de algo; assim, é definido pela diferença entre a posição final pela inicial, necessariamente:
Veja que quando o deslocamento for positivo, necessariamente o movimento se deu no sentido positivo, e se o deslocamento for negativo, necessariamente o movimento se deu no sentido negativo:
Velocidade ()
A velocidade trata-se de uma grandeza vetorial, que além de indicar a taxa com que um móvel percorre uma dada distância com o passar do tempo, aponta a direção e o sentido do movimento. Matematicamente é dado por:
Perceba que a afirmação anterior de que o deslocamento indica o sentido do movimento é a razão pela qual a velocidade também o faz, pois o que determina o seu sinal é o próprio sinal do deslocamento (já que não se trabalha com Dt negativos, pois implica em voltar ao passado).

Aceleração ()
A aceleração trata-se de uma grandeza vetorial, que além de descrever a variação ocorrida na velocidade de um móvel, indica a orientação da força exercida sobre este para acelerar (ou frear)
Repare que uma aceleração positiva implica num aumento de velocidade, e negativa numa diminuição dela (frenagem):
No MRU, como a velocidade não varia, a aceleração é zero!

MRU – Movimento Retilíneo Uniforme

O mais simples (e por isso inicial) estudo da Cinemática se dá com o MRU, sigla de Movimento Retilíneo Uniforme, que se trata do comportamento de móveis em equilíbrio inercial: movendo-se infinitamente em linha reta, sem variar a velocidade – característica máxima do MRU.
Ao observarmos a equação que define a velocidade, vemos que se tivermos duas das grandezas que a formam, podemos determinar a outra. Porém um modo especial com que esta equação pode-se apresentar é numa função matemática que relaciona a posição do móvel com o passar do tempo – a esta função denominamos Equação Horária da Posição (EHP):
Repare também que para se determinar o deslocamento em função do tempo, basta ajustar um termo da equação:
A EHP diz respeito a onde estará o móvel num dado instante de tempo, e não apenas o deslocamento num espaço de tempo. Fazendo um gráfico da relação posição versus tempo, no MRU, a EHP apresenta-se como uma função linear; note que quando a velocidade é positiva, o gráfico é crescente, do contrário, será decrescente:

posicao_v_+.jpg    posicao_v_-.jpg

MRUV – Movimento Retilíneo Uniformemente Variado

O segundo mais simples estudo da Cinemática se dá com o MRUV, sigla de Movimento Retilíneo Uniformemente Variado, que se trata do estudo do comportamento de situações em que a velocidade muda, porém, como o próprio nome diz, de modo uniforme, constante. A taxa com que a velocidade irá variar, mudar, é expressa pela aceleração (veja considerações acima).
Ao observarmos a equação que define a aceleração, vemos que se tivermos duas das grandezas que a formam, podemos determinar a outra. Porém um modo especial com que esta equação pode-se apresentar é numa função matemática que relaciona a velocidade do móvel com o passar do tempo – a esta função denominamos Equação Horária da Velocidade (EHV):
Da matemática Superior (vista em faculdade e em cursos técnicos), pode-se determinar, para o MRUV, a Equação Horária da Posição:
Repare também que para se determinar o deslocamento em função do tempo, basta ajustar um termo da equação:
Como no MRU, no MRUV a EHP também diz respeito a onde estará o móvel num dado instante de tempo, e não apenas o deslocamento num espaço de tempo. Fazendo um gráfico da relação posição versus tempo, no MRUV, a EHP apresenta-se como uma função de segundo grau (ou quadrática); note que quando a aceleração é positiva, a concavidade é virada para baixo, do contrário, para cima:
 [GRÁFICO]

Outra equação importante no MRUV é a denominada Equação de Torricelli, que se trata da “mescla” da EHV e a EHP do MRUV (para demonstração, clique aqui):
Tal equação permite determinarmos, sem informação de tempo,  qualquer grandeza nela relacionada (ou seja, velocidades, aceleração e posições/deslocamento).

Observações importantes no MRUV
Algo importante a reparar-se no MRUV é que a aceleração NÃO VARIA! Se variar, não se trata mais de MRUV. Caso ela seja nula, também não se trata de MRUV, mas de MRU – percebes?
Outra observação importante refere-se a dados que devemos compreendemos de informações sobre certo fenômeno. Por exemplo, quando se diz que algo foi “abandonado” para cair ou rolar numa rampa, significa que este algo possui velocidade inicial nula (vi = 0), pois o movimento foi impulsionado apenas pela gravidade, e não por um empurrão, por exemplo.
Outro ponto ainda a ser comentado: quando uma situação diz que algo se moveu freando até parar, subentende-se que a velocidade final é nula (vf = 0), e ainda que a aceleração é negativa.



MQL – Movimento em Queda Livre

Este outro movimento refere-se, como o próprio nome sugere, a quedas sem impedimentos, ou seja, movimentos em que a resistência do ar possa ser desprezada. Este caso, já adianto, é um tanto perfeito, ou seja, não verificamos muitos casos ao nosso redor que possamos relacionar com um MQL. Isso porque o ar que nos cerca exerce uma desaceleração considerável quando se está a uma velocidade muito grande, e não podemos, portanto simplesmente ignorá-lo. Veja, logo, que ao trabalharmos com MQL, estaremos trabalhando com situação que denominamos ideais, ou seja, que "fingimos" serem possíveis. Por quê? Porque para entendermos situações complexas, é interessante que verifiquemos como funcionam fenômenos mais simples primeiro. Certo?
O MQL trata-se de um MRUV cuja aceleração é sempre a gravitacional. Como a Terra atrai gravitacionalmente massas inversamente proporcional à distância com que tal massa se ecnotra do centro, este valor vai ser diferentes, um pouco, de pontos em diferentes altitudes. Mas de um modo geral, podemos usar a aproximação de 9,8 m/s2. Em alguns casos, apenas para podermos calcular mais rápido uma aproximação, usaremos o valor de 10 m/s2.
Como dito, o MQL nada mais é que o MRUV com aceleração constante e eigual a g, ou seja, 9,8 m/s2. Logo sua EHM será:
S(t) = S0 + v0.t -4,9.t2
Entendes porquê? Como a aceleração deve ser dividida por dois para encontramos a posição num MRUV, a nossa "sempre" aceleração o MQL 9,8 ficará pela metade: 9,8/2 = 4,9. O negativo significa que ela é orientada para baixo, o que é lógico, pois a Terra atrai tudo para baixo.
Assim, corpos descendo terão sua velocidade (negativas) aumentadas; corpos subindo terão sua velocidade (positivas) diminuídas.
Mas se é assim, ao imaginarmos - nessa alógica que acabei de te expor - um corpo que sobe tem sua velocidade diminuída. Até que ponto? Se ele sobre e depois cai, deve ter chegado a uma velocidade mínima para poder cair. Ora, então quanto chega no ápice da subida, sua velocidade é zero, ou seja, ele para antes de cair!
Analisemos o gráfico da função v(t) para o MQL:
v(t) = v0 - 9,8t
[Gráfico]
Observe que o gráfico cruza o eixo t. Se isto acontece, da Matemática sabemos que neste instante tx vx = 0.
Agora, verifique que anteriormente a este ponto, as velocidades eram positivas (acima do eixo horizontal t) e posteriormente negativas (abaixo do eixo horizontal t). Isso faz sentido? Sim! Verifica que na subida (sentido positivo) a velocidade é positiva, ou seja, sobe! Já na descida (sentido negativo) a velocidade é negativa, ou seja, desce! Esta leitura através de funções e gráficos nos revela a beleza de que os movimentos de fato falam Matemática!

Dedução da Equação de Torriceli da Velocidade

Eis a demonstração de como se determina a equação de Torriceli da velocidade, útil para calcular qualquer uma das grandezas nela envolvidas (velocidade final e inicial, deslocamento ou aceleração) quando não tivermos o tempo:
Feito? Valeu!

1.1 Dinâmica Básica: As três Leis de Newton do movimento

De Aristóteles a Galileu: um árduo e demorado salto para a Ciência

Na era de ouro da Grécia antiga, por volta do terceiro ou quarto século antes de Cristo, viveu um dos maiores cientistas da História: Aristóteles. Por que um dos maiores? Pelo interesse em analisar como as coisas funcionam, e genialidade na descrição de como lia o mundo e o Universo.

Naquela época perduravam dois pensamentos chaves para nosso estudo: o Geocentrismo, a teoria de que a Terra fica no centro do universo; e o dos quatro elementos que formavam toda matéria do universo: Terra, Água, Ar e Fogo (os astros, aquém de nosso alcance, Aristóteles julgava serem feitos de quintessência, devido ao seu movimento oscilatório através do ano – leia mais a frente para entender porque essa distinção).

Conforme Aristóteles, o movimento dos corpos era natural apenas na vertical, na horizontal era necessário impulso constante, devido ao atrito do chão que barra o movimento – por maior que fosse o impulso, um dado momento a “coisa” pararia. Com relação ao movimento na vertical, se descia ou se subia, e com que velocidade o fazia, dependia da proporção dos quatro elementos com que o móvel era formado.

Por exemplo: uma tora naturalmente caia, pois, por ser da árvore, era formado principalmente por terra (assim como metais extraídos das rochas, nós que comemos vegetais e animais, etc.). E tudo que era formado por terra caía, bem como por água. Isto pois Aristóteles jamais vira algo mover-se inanimadamente morro a cima, muito menos um rio fazer isso.

Já com relação à rapidez com que algo caia, dependia da proporção de terra/água e ar com que era feito; por exemplo, uma pena cai lentamente, pois é feita por uma proporção de ar considerável(as aves eram concebidas como em parte de ar!).

E assim, essas concepções e lógicas perduraram por 2000 anos, até o século XVII, quando na estrondosa Renascença surgiram cientistas mais cuidadosos que Aristóteles: a exemplo, Galileu Galilei.

Galileu, intrigado com os ideais e leituras de Aristóteles, e também com a idéia de Copérnico de que poderia estar o Sol, e não a Terra, no centro do Universo, começou a analisar não somente o céu estrelado, mas também o movimento de objetos com maior cuidado.

As rampas de Galileu e a Inércia: uma dedução genial!

Galileu primeiramente (como se presume) começou seus experimentos com lançamentos de objetos, de pesos diferentes, para testar a afirmação aristotélica de que a rapidez de queda depende de fato do seu peso, ou seja, da proporção de elementos com a qual é feito – para sua surpresa, objetos de madeira e ferro chegavam ao chão simultaneamente!

Intrigado com o observado, esquematizou rampas e sobre elas rolar esferas (bolas), cronometrando com pêndulos (outra genialidade sua). Percebeu que quanto maior a inclinação, maior a variação na rapidez (seja de queda, aumentando, seja de descida, diminuindo). Percebeu também que, quanto mais bem polido fosse a superfície de contato do móveis e as rampas, mais facilmente se dava o movimento (rolava mais rápido em superfícies bem polidas).

Posteriormente, esquematizou duas rampas, uma de frente para a outra, e verificou que, na subida sobre a segunda, a esfera atingia praticamente a mesma altura (um pouco a baixo) da qual lançou a esfera na primeira rampa. Veja o esquema abaixo:


Veja também que quanto mais ele diminuía a inclinação de subida, mais a esfera deveria se deslocar em relação a horizontal para atingir a altura inicial.

Dessa última observação, Galileu meditou:

 “Se eu abandonar a esfera da rampa para que desça, de modo que na sua trajetória não encontre qualquer impedimento, nem o ar nem qualquer atrito na superfície (polida perfeitamente), porém para que suba uma rampa com inclinação mínima, o quanto ela terá que deslocar para chegar a altura inicial? MUITO! Mas e se não haver rampa para subir? Ele não subirá e andará para sempre em linha reta?”

Galileu, pela lógica que observara, julgou que sim, e deduziu que essa tendência dos objetos, quando não haver qualquer impedimento (nem atrito, nem ar, nem subidas ou descidas), o movimento manterá rapidez constante e em linha reta. A essa tendência deduzida, Galileu chamou de Inércia.

O caminho estava aberto para que a humanidade experimentasse, enfim (após dois milênios), um novo modo de ver a realidade – mas ninguém esperava um choque tão grande quanto o Philosophæ Naturalis Principia Mathematica de Isaac Newton.

Philosophæ Naturalis Principia Mathematica: o Universo fala Matemática!

De fato Newton foi também um dos maiores cientistas de todos os tempos ao lado de Aristóteles. De todas as suas contribuições preciosíssimas ao conhecimento humano, a mais notável foi seu famosíssimo artigo: Philosophæ Naturalis Principia Mathematica (Princípios Matemáticos da Filosofia Natural). Nele, Newton postula equações matemáticas que regeriam não apenas o movimento sobre a Terra, mas também o próprio movimento dos astros.

Dentre todos os enunciados que constam nesse artigo, a síntese, que nos interessa, pode ser feita no que chamamos de As Três Leis de Newton do Movimento: da Inércia, da Proporcionalidade Força/aceleração e da Ação e Reação. Vamos ao seu estudo, finalmente.

1ª Lei de Newton: a Inércia

Com ela, Newton enuncia que, estendendo o enunciado de Galileu:

Tudo no Universo mantém-se em seu estado de equilíbrio (parado ou se movendo em linha reta com rapidez constante), a não ser que um agente externo atue alterando tal estado.
Ou seja, algo que está parado, ou movendo-se em linha reta sem qualquer impedimento, se manterá assim se não vier um “estraga-prazer acabar com a brincadeira”.

Por exemplo:
– Depende de como se puxa:
Um rolo de papel continuará parado se você não puxá-lo. Porém ao fazê-lo com certa vagarosidade, poderá recolher quanto papel quiser; porém se puxares com violência, quando ainda parado, você arrancará um pedaço. Por quê? Pois o rolo tende a ficar parado, e se você forçar drasticamente o desequilíbrio, esta tendência permanece.
O mesmo ocorre em puxadas rápidas de toalha, permitindo a Inércia que os objetos dispostos sobre a mesa não sejam arrastados junto com o puxão.


– Cuidado com a freada:
Quando você está em pé num ônibus em movimento, a velocidade com que você está em relação ao “mundo lá fora” é a mesma da do ônibus. Se ele repentinamente frear, brecar, a tendência é de que você continue naquela velocidade, e tende a ser arremessado para frente.
Por este mesmo motivo, é importante o uso do cinto de segurança, pois impede que, pela inércia, você seja arremessado pelo vidro!
Se você girar um ovo cru (sobre uma mesa) velozmente, e tentar pará-lo com um toque simples e moderado, verá que ele continuará girando. Por quê? Pois a gema dele tende a continuar girando, independentemente da casca paralisada, empurrando a mesma e continuando o movimento.


– Ajustando o martelo:
Se seu martelo tiver a cabeça deslocada, basta bater violenta e verticalmente com o cabo, do lado oposto, no chão. O cabo pára no chão, mas a cabeça tende a continuar caindo, e acaba por ajustar-se novamente no cabo:

Imagem 01 – Ajuste de martelo

2ª Lei de Newton: a Proporcionalidade entre Força e Aceleração

Para que possamos compreendê-la bem, primeiramente elucidemos, esclareçamos o que vem ser, no nosso contexto, FORÇA e ACELERAÇÃO:

Força é uma entidade Física capaz de, ou alterar a velocidade de algo, ou deformá-lo.
Aceleração, por sua vez, é a variação sofrida, ou adquirida, por algo que se move, e tem o mesmo sentido da força que a promove.

Assim, algo se move com velocidade constante independentemente de qualquer Força. Porém, se tem sua velocidade diminuída (por atrito, por exemplo), está sofrendo uma aceleração, e necessariamente há uma Força envolvida no evento (no exemplo em questão, a Força de Atrito).
Assim, conforme os experimentos de Newton, uma aceleração adquirida ou sofrida é derivada de uma força F, de modo que intensidade delas é diretamente proporcional:
a a F
Ou seja, se dobrarmos a intensidade da força sobre algo, este adquirirá uma aceleração também duas vezes maior; se reduzirmos pela metade, a aceleração adquirida será duas vezes menor.
As observações de Newton também constataram que a aceleração adquirida era inversamente proporcional a massa do que era deslocado, ou seja, quando maior a massa, para uma mesma força, a aceleração adquirida seria menor. Nesse contexto, a equação em questão fica mais bem expressa assim:
a = F . m-1    ou    F = m . a
Portanto:
– Quanto maior a força aplicada, maior a aceleração adquirida (ou deformação realizada);
– Quanto maior a massa, para uma mesma força, menor a aceleração adquirida.


Talvez os vídeos abaixo ajudem:


http://www.youtube.com/watch?v=4Z8tPy2nhys (Espanhol)

Aí está o motivo pelo qual todo objeto corresponde a uma Inércia “peculiar”, de certo modo. Quanto maior a massa de algo (quanto mais “pesado”), maior a tendência de continuar parado ou em linha reta com rapidez constante!
Pois veja que para tirar algo do repouso (que significa estar parado), precisamos variar sua velocidade: de zero a superior. Para variar precisamos aplicar uma força; e dependentemente da variação de velocidade desejada, quanto maior a massa da coisa, maior será a Força exigida.

Tipos de Forças no Estudo da Dinâmica

Força Peso (W ou P)
É a força responsável pela aceleração gravitacional, ou seja, aquela que “puxa” tudo para baixo. Semelhantemente ao enunciado anterior, a força peso é dada pelo produto entre a massa e uma aceleração – aqui, em específico, a do planeta ou estrela em questão:
F = g . m-1
Para a Terra, a aceleração gravitacional é de g = 9,81m/s2.

Força Normal (N)
É a força responsável pela sustentação do repouso. Algo se mantém parado, por exemplo, no chão, porque o chão sustém, com uma força vertical para cima, a coisa contrapondo a Força Peso para baixo.
O bloco abaixo está em repouso em relação à horizontal, pois a parede força-o (N) em contraposição a força de tensão T parcial (que age na horizontal) do fio que sustém o bloco:


Força de Atrito (Fa)
É a força responsável pelo impedimento do movimento, ocasionado pelo meio em que ele ocorre.
Se devido ao contato com uma superfície sólida, o atrito será:
Fa = N . m
Sendo N a Força Normal e m o que chamamos de coeficiente de atrito, que será específico (e determinado) do contato entre dois materiais.
Por isso também relacionamos a dificuldade em empurrar algo, horizontalmente, com seu peso; pois de fato, a força normal, na vertical, terá intensidade igual ao peso do objeto.
Devido a este último fato, o movimento de objeto em planos inclinados se torna facilitado, pois a componente da Força Peso (que “formará” a intensidade da Força Normal) será diminuída, diminuindo também, assim, o atrito – que depende da Normal diminuída:


Força de Arrasto Aerodinâmico (Far)
A Força de Arrasto Aerodinâmico nada mais é do que o próprio atrito desenvolvido pelo ar – ou água (enfim, para qualquer gás ou líquido).
Observe os vídeos dos esquilos Scrat (macho) e Scratte (fêmea) abaixo, da Era do Gelo 3:
Lutando contra o vento:
Planando no ar:
       Repare que nos movimentos que dependem consideravelmente do arrasto do ar, tanto a superfície (área) frontal de contato com os ventos quanto a velocidade deles influencia no atrito existente.
Meditando um pouco, vemos que também a densidade (mais corretamente, a massa específica, r) também influi – quanto mais denso (água em relação ao ar, por exemplo), maior será o atrito desenvolvido.
Conforme nossa análise, a Força relaciona-se com as grandezas descritas da seguinte forma:
F = v . r . A
Contudo, estudos mais precisos nos apontam para algo mais preciso:
F = v2 . 0,5r . A . Cd

Sendo Cd o chamado Coeficiente de forma, relativo ao design do móvel (repare no modo como o esquilinho Scrat, nos vídeos acima, se porta na luta contra os ventos e como se atira precipício abaixo para resgate de Scratte).
Devido ao fato da Força de Arrasto ser na grande maioria das vezes complexa de ser analisada, ela é desprezada nos cálculos de Física Básica (nosso caso) – complexa, pois tanto a velocidade (no caso de quedas) quanto a densidade do ar (que diminui com a altitude) não são constantes.

Força Gravitacional e Elétrica
Veja postagem específica.

Força Forte e Fraca (Física Nuclear)
Veja postagem específica.

3ª Lei de Newton: Ação e Reação

Este enunciado é fundamental para a condição de equilíbrio de qualquer sistema de forças:

“A toda força aplicada sobre um dado corpo, coexiste, sobre o agente aplicador desta força, outra de mesma intensidade e direção, porém de sentido contrário”.

De outra forma: toda vez que se aplica uma força F sobre um dado objeto, “surge” simultaneamente outra força de mesma intensidade e direção, porém no sentido contrário da primeira força e sobre aquilo (ou quem) que a exerce.
Isto quer dizer que...
– quando nos apoiamos na parede, o que nos mantém imóveis ao nos apoiarmos é a força de reação da parede sobre nós;
– ao caminharmos só andamos porque o chão nos empurra para frente, ao passo que o empurramos para trás com a sola dos pés (repare no seu caminhar e verás que isso é muito lógico!). Se não fosse o atrito, a força aplicada sobre o chão apenas moveria nosso pé na mesma direção: isso seria um escorregão!

– no impulso que tomamos para saltar, ao empurramos o chão para baixo, o chão NOS empurra de volta.
Muito cuidado, contudo com um fato muito importante: a força de reação NUNCA atua sobre o objeto que sofre a força de ação; antes, este mesmo objeto é que proporciona a reação.

Resumindo...

O coração das três leis de Newton está no conceito de Força e como ela afeta o movimento. Podemos resumir as três leis do movimento da seguinte forma:
Se não houver um desequilíbrio nas forças que atuam sobre um sistema (corpo ou conjunto de corpos vinculados) ele [I] continuará parado ou, se em movimento, este será em linha reta com rapidez constante.
Caso haja um desequilíbrio, sua resultante promoverá uma [II] mudança (chamada aceleração) na velocidade (rapidez e direção/sentido) do sistema, tão intensa quão intensa for esta resultante e/ou quão leve for sua massa.
Sobretudo, cada força An atuante no sistema (em equilíbrio ou não), de todas n forças existentes, possui uma [III] força de reação Rn que lhe é igual em intensidade, direção - mas sentido contrário. Tais forças não se equilibram simplesmente porque cada An atua sobre aquilo que promove Rn - e Rn, por sua vez, sobre quem imprime An - elas agem sobre sistemas/coisas diferentes.

Eis aí as famigeradas Três Leis de Newton, devidamente apresentadas. Elas regem todas as outras áreas da Física que importam sistemas de forças. Claro que o que expus aqui foi uma mera abordagem conceitual; para cálculo de Forças Resultantes num simples ou complexo sistema de Forças, é necessário desenvolver suas habilidades num livro de Física apropriado, pois a mera leitura, julgo, não poderá auxiliar demasiadamente. Contudo, dentro em breve trabalharei em cima disto.

Bons estudos!